01/04/2013
31/03/2013
04/12/2012
29/11/2012
24/11/2012
as mãos cerradas sobre o abraço apertado e o reconhecimento absoluto da incapacidade total de se poder ser um pouco além do expectável.
a certeza, a infeliz certeza, de que a competência nula sobre si mergulha e invade cada fragmento da sua tentativa.
reconheço o que perdi desde que aqui regressei. reconheço e reservo o segredo do que sei ter perdido.
talvez me tenha exaurado sem saber porquê, talvez tenha entregue o corpo à sede e a alma à fome e tenha, em verdade, perdido quase tudo.
não tenho a coragem que guardava em mim enquanto frente ao deserto infinito.
não tenho a força que tinha junto ao mar de sal imenso.
não tenho a segurança que tinha no caminhar sombrio das noite bélicas.
e agora tenho medo de dormir. agora tenho medo de encontrar. agora canalizo para o lado errado de mim e não encontro a saida. não encontro o caminho. o sentido. a vontade. não encontro a noite nem o sul. invento desculpas como quem esculpe a pedra. num poço sem fundo luto desesperadamente pela tona, pela superficie.
e espero. e procuro. encerro as mãos sobre um abraço fechado
e canto.
23/11/2012
és o que resta de ti e o que eu vejo que resta de ti.
eu já não sou eu inteiro porque perdi o que falta agora em ti.
sou o que resta do que resta do que eras.
quando entro aqui, um dia depois do outro dia, depois da noite que vem depois do dia seguinte, um dia mais do que o dia anterior, não te reconheço em nenhum deles.
olhas para mim sem olhares para mim e sei que também já não me reconheces.
e sei que vou perder, agora e nos dias que faltam, o resto que resta de ti.
14/05/2012
23/02/2012
19/02/2012
ch.e.gar.a.tem.po
Hoje parece que é já uma eternidade que fez com que o que restava do tempo me deixasse cair na areia quente. E como tu não recordas nem queres mais nenhuma vez recordar, também eu hoje me esqueci de há quanto tempo ando por aqui. Mas não teve importância, como vês. Nunca chego a tempo. E hoje, não foi possível haver qualquer excepção apesar de eu ter conseguido,
por breves ridículos momentos,
ter conseguido sossegar o tempo.
20/01/2012
aBandOn_O
em suspenso
num lugar que não queria conhecer
à espera.
Aguardei que as noites pudessem terminar,
Pelo menos por um momento.
Esperei sempre que o teu regresso fosse a minha libertação
e agora encarcero-me na chuva que não chegou a cair.
Guardo cada fragmento do tempo
deste tempo todo
e coloco-o no lugar que é mais fundo em mim,
antes de me deixar esquecer.
Respiro no respirar de uma apneia
demorada
E seguro o último resquício da minha voz
Em silêncio. Sempre.
Não reconheço o lugar onde caí
e nada me resta senão segurar a distância em ambas as mãos e correr até
poder voltar a cair. Sem esperar.
Uma e outra vez.
Até deixar de sentir o resto que falta.
Abandonado em mim.
rest.AR
pEl.E
03/01/2012
nevo.a
incerteza escura do
nevoeiro que se abateu pela cidade
hoje.
caminho como se arrastasse
correntes presas na pele
dos ossos.
há ruidos
insuportáveis
a moldar-me os pés
a ferir-me nos olhos
a abandonar-me na terra
dos jardins vazios.
sou a névoa do nevoeiro
hoje
e abandonei-me da
na
cidade.
hoje.
26/08/2011
Adeus
"É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer a humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
Consumada,
Um poema de líquido pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada".
Miguel Torga
17/08/2011
s.A.l.A.
paradise
15/08/2011
secretum
10
10/08/2011
inquestionabilidade
03/07/2011
rio.
26/05/2011
dragon slay
19/05/2011
s.pin.e
salga
25/04/2011
caLçada
19/04/2011
Retratos de Mulheres
"Fotografias de mulheres por três artistas distintos: Jorge Martins, Man Ray e Julião Sarmento. Até 30 de Abril na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa. |
"The Fifty Faces of Juliet" é a série de retratos apresentada do norte-americano Man Ray (1890-1976), que foca a mulher do artista, Juliet Browner, fotografada entre 1941 e 1955. Já Jorge Martins nunca pensou em mostrar fotografia, actividade que tem paralelamente à pintura. Nesta exposição revela " Eros cromático", um conjunto de 20 registos de modelo feminino, feitos em Paris, entre 1964 e 1073. Algumas das fotografias apresentadas foram realizadas no ateliê parisiense de Vieira da Silva. Por fim, Julião Sarmento exibe 62 fotografias de 31 mulheres, realizadas ao longo de 42 anos. Um núcleo de imagens, sua maioria inéditas e realizadas entre os finais dos anos 60 e os dias de hoje, escolhidas pelo artista e pelo comissário Sérgio Mah. S.Po. (PÚBLICO)" |
exposição na fundação arpaz szenes - vieira da silva
vista domingo. ao sol. no jardim das amoreiras.
18/04/2011
ecoar
13/04/2011
rigoletto
06/04/2011
laranjeira
09/03/2011
k
24/02/2011
No.TH.ere
importance
15/01/2011
cao.s
12/01/2011
09/01/2011
água
14/12/2010
08/12/2010
empty box - morphine
musgo
06/12/2010
29/11/2010
nEoMe
23/11/2010
chuva ardida
19/11/2010
cc II
cc
04/11/2010
Compreendo o porquê exacto que te leva a não chegares aqui.
[Tão louca razão que sabe não querer saber quando sabe.]
Vejo que o deserto não pode ser um lugar para quem só sabe amar o mar.
[Que há saudade do mar somente no deserto, finge:]
Percebeste, pouco depois de tocares esta areia, que o lugar de ti não podia acontecer aqui.
[e foi assim um feito des-feito]
Não podia ser agora.
[com desfecho:]
Sei porque é que não me tocas quando me suspendo no teu respirar.
[a distância encarnada, uma ligeira travessura:]
Sei porque não me olhas quando rasgo os pulsos e escorro o sangue como se fosse chuva.
[de seres impossível várias vezes, repetida e tragicamente, acontecida gota a gota.]
Reconheço que não saibas os passos que danço quando estás de costas para o lugar onde eu ainda consigo existir.
[Respira. Sente. Respira. Pensa. Respira… e mais um pouco, a pouco.]
Sei bem porque é que eu sou ainda um deserto.
[Acordo e sei que por detrás da janela – lá fora – há, inevitavelmente, gente.]
Sei bem que tu vais ser sempre o mar. Longe.
[E que ser gente é, paradoxalmente, evitável.]
