29/11/2010
nEoMe
23/11/2010
chuva ardida
19/11/2010
cc II
cc
04/11/2010
Compreendo o porquê exacto que te leva a não chegares aqui.
[Tão louca razão que sabe não querer saber quando sabe.]
Vejo que o deserto não pode ser um lugar para quem só sabe amar o mar.
[Que há saudade do mar somente no deserto, finge:]
Percebeste, pouco depois de tocares esta areia, que o lugar de ti não podia acontecer aqui.
[e foi assim um feito des-feito]
Não podia ser agora.
[com desfecho:]
Sei porque é que não me tocas quando me suspendo no teu respirar.
[a distância encarnada, uma ligeira travessura:]
Sei porque não me olhas quando rasgo os pulsos e escorro o sangue como se fosse chuva.
[de seres impossível várias vezes, repetida e tragicamente, acontecida gota a gota.]
Reconheço que não saibas os passos que danço quando estás de costas para o lugar onde eu ainda consigo existir.
[Respira. Sente. Respira. Pensa. Respira… e mais um pouco, a pouco.]
Sei bem porque é que eu sou ainda um deserto.
[Acordo e sei que por detrás da janela – lá fora – há, inevitavelmente, gente.]
Sei bem que tu vais ser sempre o mar. Longe.
[E que ser gente é, paradoxalmente, evitável.]
03/11/2010
31/10/2010
18/10/2010
apneia
17/10/2010
lonjura
07/10/2010
Prelúdio
Parar entre dois mundos: tudo é feito do ser da aparência, a aparência de ser. É vazio atrás de vazio, mentira atrás de mentira, jogo atrás de jogo, manipulação atrás de manipulação, disfarce atrás de disfarce, logro de logro, adulação de adulação, aniquilação de aniquilação, inverdade de inverdade – é uma vazante mal cheirosa e viçosa de nada. Tiramos prazer de nada, sorrimos face a nada, abraçamos nada, adormecemos com nada, acordamos para nada, vivemos de nada. Esta pauperricidade que nos invadiu e percorre o nosso ser em vez de sangue, que usa o pulsar cordial na pujança da vitalidade é a nudez e é feia, para além de crua e de desproporcionada, é asco feito nojo. Nojentos que a morte não dignifica e a vida perpetua.
Onde está a lucerna que tantos e tão antigos proclamaram acerca da humanidade? Que é feito dessa faísca que chispa da fogueira anímica e sustém o universo, no cantar de Orfeu? A conversão euridiciana será sempre a nossa fatalidade e a esperança somente repousa em Cronos, que nos devora, inimbuchável, da nossa miséria feia e de asco.
ra.va.ge.
04/10/2010
"9 Crimes"
Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be thinking of you
It's the wrong time
For somebody new
It's a small crime
And I've got no excuse
Is that alright?
Give my gun away when it's loaded
Is that alright?
If u don't shoot it how am I supposed to hold it
Is that alright?
Give my gun away when it's loaded
Is that alright
With you?
Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be cheating on you
It's the wrong time
She's pulling me through
It's a small crime
And I've got no excuse
Is that alright?
I give my gun away when it's loaded
Is that alright?
If you dont shoot it, how am I supposed to hold it
Is that alright?
I give my gun away when it's loaded
Is that alright
Is that alright with you?
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright with you?
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright with you?
No...
03/10/2010
27/09/2010
a aspereza dos dias
sós.
nas mãos
o desencontro dos escombros
ternos.
nos olhos
a desventura esperançada despedaçada do sorriso
aventurado.
na chuva
a melodia do mais brando e cruel
silêncio.
no andar
a tentativa de fuga do esgar do fogo
vazio.
no mar
a possibilidade segura de não mais
respirar.
na porta