18/10/2022
EsQuIÇo
14/10/2022
04/10/2022
02/10/2022
Há um negrume que se instala no azul do céu de uma tarde cansada. Anuncia a certeza de que a chuva regressa, em breve. As gaivotas choram o canto dos abandonados enquanto esvoaçam, erráticas, desamparadas, num rasto de um qualquer caminho...para terra, ou para o mar? Debatem- se com a incerteza segura de que a vida é uma escolha permanente e que, por fim, termina na causalidade escolhida. Em cinza. Ou em abismo.
Penso em ti enquanto caminho o chão de areia. Talvez seja a água que choras de dentro da pele, aquilo que te tenha transformado os pés em barro.
29/09/2022
São sombras dos teus gestos que reencontro na chuva que me desenha a pele.
Fecho os olhos
e fecho as mãos.
Deixo-te partir
mas trago-te,
durante um momento,
agarrado aos dedos fechados sobre as minhas mãos.
Um momento
é o que me basta
para suster
a ilusão,
consentida
de que
é possível
segurar(te)
a água.
E,
logo de seguida,
largar.
23/09/2022
Neste momento, na noite ébria, queria apenas sentir teu corpo na minha língua, nas minhas mãos, na minha pele...
Não há, neste preciso momento, mais nada que me possa fazer sentido senão a incontornável ausência de tua voz.
Emana, de mim, o aroma a lima, a mosto e a fumo e é nesse lugar, sombrio de tão vivo, que me cruzo com a certeza do lugar de ti.
E termino, nos resquícios do verão que abandona este lugar, a ansiar pelo que me não pode chegar a ser.
22/09/2022
17/09/2022
14/09/2022
09/09/2022
08/09/2022
24/08/2022
21/08/2022
OrAçãO
Estás longe.
Num lugar de mar alto onde eu já não posso chegar.
Num lugar onde já não há terra para eu ter lugar. Onde já não posso ouvir-te na voz porque já não há nada que me queiras dizer. Onde minhas mãos está vazias e já não podem tocar. Onde o silêncio da distância ausente transfigurou tudo.
Já estou demasiado longe.
18/08/2022
Cresce-me um fogo por dentro. Arde-me na voz. Arde-me no peito. Queima-me na ponta dos dedos que sinto desfazerem-se no vento que assola esta terra a oriente.
Desenho linhas que não consigo ver, usando a sombra do sangue da tua ausência...e espero que não chegue a suster-me no apelo do abismo.
Ou talvez espere chegar à orla da rocha negra dançando como um dervixe, na esperança que D me segure nos dedos de cinza e me traga de volta ao lugar anterior a este lugar que é apenas um lugar vazio.
Sinto a crueza cruel do (des)sentido deste lugar que, por tu não estares, deixou de fazer sentido.
Diluo meu sangue na sombra do teu, enquanto procuro nas mãos as linhas para desenhar meu passo seguinte.
Por vezes temo não conseguir avançar pois tudo em frente, atrás, de lado, tudo o que meu olhar alcança, está a arder. Sou eu quem está a arder.
Outras vezes, sei que vou dançar até encontrar as clareiras e as linhas desenhadas com as cinzas que trago na voz, até o (des)sentido voltar a ser lugar de sentido.
O vento mantém um fogo a arder-me por dentro. Até que eu possa mudar de lugar, até um lugar fazer sentido.